Hoje de chuteiras penduradas, o ídolo veste all star, tem bagagem de quatro overdoses, simpatia pela geração hippie, afeto pelas drogas e muitos gols pelo Corinthians e Seleção Brasileira. No entanto, Walter Casagrande Júnior ainda bambeia na condição de convocado para a história dos anti-heróis do futebol mundial.
Para se juntar ao time craques como Diego Maradona, George Best e Paul Gascoigne, Casa ainda precisa lutar para manter sua reputação futebolística e acabar com essa história de se apresentar como viciado redimido.
Hoje (19-10), entrevistado no Altas Horas, da Globo, o matador provou que merece vaga no seleto grupo dos malvadões do futebol. Disse que gosta de viver nos limites, gostaria de ser Jim Morrison* e precisa ir semanalmente ao consultório médico. "Sou dependente químico e desde menino tive uma atração pelas drogas", é o que disse Walter.
Apesar de todo o bombardeio da moralidade, espero que o Casão não se entregue. Continue em contato com os roqueiros moderados do Titãs. Fale mais da sempre falada Democracia Corinthiana. Lembre das glórias com a indisciplina que o permitia ser matador nato, como foi no campeonato paulista de 1982. Fale da diferença entre jogar no desconhecido São Francisco, da Bahia, e ser campeão da Copa da Itália pelo tradicional Torino.
Casagrande é craque e não precisa dar explicação. Jogadores como Walter existiram para fazer a alegria dos torcedores. Mitos folclóricos existem para serem venerados, mesmo quando degenerados. Nós torcemos! Um brinde ao Casão.
* Vocalista do The Doors, filho de uma família conservadora, especula-se que o astro do rock morreu após overdose de heroína. Seu grupo é conhecido pelas clássicas notas de "Light my fire" e "Riders on the storm".
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